sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Uma breve história da Igreja Católica - Parte 2


A fundação da Igreja aconteceu em um momento crítico para o Império Romano. Antes de subir ao poder, Constantino, o Grande, teve de enfrentar revoltas e lutar contra poderosos inimigos que ameaçavam o seu lugar como Imperador. Após anos e anos de guerras civis, finalmente a paz havia sido restaurada, mas novos problemas apareciam a cada dia. A crescente onda migratória dos povos do norte da Europa e as ameaças nas fronteiras setentrionais e orientais, o fizeram mudar a capital de Roma para Constantinopla, já que assim, o centro de poder ficaria mais próximo dos conflitos.

A solução do Imperador foi importante, pois garantiu certa estabilidade para o governo e para as fronteiras. Entretanto, após a morte de Constantino sérias convulsões em todo o território trouxeram mais dificuldades. Roma perdia espaço como centro administrativo, sendo Constantinopla cada vez mais importante. Esse problema acabou refletindo na forma como a Igreja funcionava, já que o Papado e, portanto, a sede da Igreja estava na primeira cidade.

A situação iria se agravar com a divisão do Império no fim do século IV quando, com a morte do Imperador Teodósio em 395, Roma foi finalmente dividido em duas partes. A parte Ocidental ficaria agora com a sede em Roma e a Oriental com sede em Constantinopla. O surgimento de dois Impérios Romanos, onde o latim era predominante no ocidental e o grego no Oriental continuou a afastar ainda mais os religiosos e enfraquecer a unidade da igreja.

Com o agravamento das invasões bárbaras e a crise do sistema escravocrata, o ocidente finalmente evaporou. Odoacro destronou o último Imperador Romano em 476 e destruiu completamente a ideia de um império Ocidental. O mundo europeu mergulhou nas trevas da Idade Média e as cidades esvaziaram-se. O Papado, contudo, manteve-se firme, e a igreja adaptando-se aos invasores, permaneceu existindo.

Meio milênio de distanciamento iria acarretar no século XI o Grande Cisma do Oriente. A igreja católica era desmanchada em duas partes, com a excomunhão mútua dos Bispos de Roma e Constantinopla. Os grandes cernes da questão, além da própria distância geográfica e de influência, estavam no “cesaropapismo” (poder do Imperador romano sobre as decisões da igreja) e no “filioque” (a discussão a respeito da divindade ou não de Cristo). 

Enquanto o catolicismo de Roma defendia o poder supremo do Papa e a essência divina do profeta, os constantinopolitanos defendiam uma visão mais voltada à simbiose com o Imperador e a uma visão mística da Santíssima Trindade, onde a divindade ou não de Cristo não teria tanta importância. A Igreja Católica Oriental e a civilização bizantina (nome moderno) preservaram os costumes, os textos e os tesouros da Antiguidade, enquanto tudo isso se perdia no Ocidente

Mas o que talvez seja mais incrível sobre os “anos das trevas” europeus é que o poder do Papa perdurou sobre todos os antigos territórios da Roma Ocidental e sua influência permaneceu existindo mesmo nos mais difíceis dos tempos, e sobre os mais variados dos povos. Quando da Queda de Constantinopla sob o julgo Turco-otomano, os eruditos e os nobres daquele lugar fugiram para Roma e o Ocidente, dando fôlego ao Renascimento Artístico e Cultural, e pondo fim à Idade Média. A Igreja Cristã iria se apropriar dessas ideias, trazendo uma legião de mudanças sem precedentes para o Papado e toda a Europa Ocidental.

-- Thiago Amorim

O que não foi citado nesse texto:
- O sistema feudal toma conta da Europa;
- A fundação do Sacro Império Romano-Germânico;
- O Cisma do Ocidente e os três Papas;
- O surgimento dos Estados europeus;
- As cruzadas ocorreram nessa época diante do pedido feito por Aleixo Comneno, então Imperador de Bizâncio, e sob incentivo do Papa de Roma;
- O saque de Constantinopla pelos cruzados;
- O Avanço do islã pela Europa, e o enfraquecimento da Igreja no Oriente;
- A peste negra e a histeria sobre o fim do mundo;
- Os esforços dos últimos Imperadores bizantinos em buscar ajuda no Ocidente diante da  guerra com os turco-otomanos;


quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Uma breve história da Igreja Católica - Parte 1


Há cerca de dois mil anos, um intrépido carpinteiro com ideias proféticas era crucificado em Jerusalém. Devido ao local onde vivia, sua morte deveria ter sido despercebida ou pouco comentada, mas isso não aconteceu. Ele havia deixado discípulos, que de forma itinerante passaram a vagar pelo Império Romano pregando a “boa nova de Cristo”. O Cristianismo, como ficou conhecido o culto a essa figura, espalhou-se velozmente do mundo Oriental para o Ocidental e transformou-se numa das maiores religiões do globo em anos posteriores.     

Entretanto, nos seus primeiros anos, os Cristãos foram perseguidos dentro da sociedade romana e inúmeros martírios e assassinatos cometidos. Roma não via com bons olhos uma seita que ameaçava o culto aos deuses antigos e incitava o povo a rebelar-se contra o sistema vigente. Dessa forma, inúmeros imperadores promoveram a perseguição aos cristãos, sendo talvez a causada por Nero a mais famosa delas, já que o apóstolo Pedro pereceu sob seus pés no circo de Roma.

Após cerca de trezentos anos de ilegalidade, o cristianismo tornou-se uma força esmagadora dentro do Império e sob o reinado de Constantino, o Grande, com o famoso Édito de Milão promulgado, os cristãos puderam finalmente viver em paz.

Mas se podiam viver em paz, seus inimigos não podiam. Quase que imediatamente após a permissão para manter seus cultos, os perseguidos transformaram-se em perseguidores, levando uma onda de terror e morte às ruas de todo o império. O paganismo perdeu força e patrocínio, e em poucas décadas foi inexoravelmente substituído pela nova religião.

Com tantos novos seguidores, logo as ideias sobre o que de fato era ser cristão começaram a se confundir. Alguns pregavam que Cristo era Deus encarnado, outros que ele não passava de um homem com ótimas ideias a ser seguidas. Diante do impasse e das crescentes dissidências, Constantino, o Grande, mais uma vez, reuniu um Concílio ecumênico em Nicéia, onde representantes de diversas partes do mundo definiriam finalmente o que era o cristianismo e o que deveria ser feito para manter-se como devoto dessa fé.

É nesse ponto da história, mais precisamente no ano 325 D.C., que a Igreja Católica Apostólica Romana vai surgir como instituição. Até então, o credo cristão era informal e disperso, com as autoridades religiosas surgidas da comunidade na qual estava instalado. A reunião em Nicéia criou os dogmas, os ofícios e os cargos que deveriam existir na nova religião, e de que forma se poderia alcançar a vida eterna. Festividades importantes, como o nascimento de Cristo e a Páscoa, também foram definidos nessa reunião, utilizando como referência, e até mesmo como a forma de comemoração, as festas pagãs.

Bispos de diversos pontos do Império Romano, como Constantinopla, Roma, Antioquia, Alexandria, entre outros, tornaram-se os mestres espirituais e guias do povo de Cristo, sendo que o Bispo da cidade de Roma seria o “Primeiro entre iguais”, o Papa Católico e maior líder entre todos.

Constantino, portanto, foi o grande patrocinador da Igreja, e inteiramente responsável pela sua instituição. Apenas com seus recursos e incentivos, a religião católica tornou-se auto-suficiente e prosperou para a eternidade.

-- Thiago Amorim

quinta-feira, 21 de julho de 2011

As Sete Maravilhas de Alagoas


E se durante toda a história diversas listas foram criadas elencando as maiores maravilhas do mundo, porque não criar a nossa? A minha mostra o que nosso Estado tem de melhor para oferecer, de acordo com minha opinião, é claro. Segue abaixo a lista das sete maravilhas de Alagoas. Espero que gostem! Do contrário, fiquem à vontade para eleger as suas próprias...

O “Velho Chico” e seu encontro com o mar é talvez a maior das maravilhas do Estado. As cidades ribeirinhas, os cânions do São Francisco e a beleza do “Nilo brasileiro” são de deixar qualquer um boquiaberto;

O mar! Os invejosos dos outros estados do país costumam dizer que aqui só tem praia e mar. Erraram feio, mas acertaram em divulgar nossas belezas naturais. Em cada lugar do litoral alagoano o Criador foi generoso e nos presenteou com as melhores e mais belas praias do mundo;

Cidades históricas! Água Branca, Maceió, Marechal Deodoro, Penedo, Piranhas, entre outras têm muito que mostrar. Seja na cidade dos marechais ou no rastro do cangaço, a arquitetura de beleza ímpar maravilha aos locais e visitantes desde os tempos do Brasil colônia;

Apesar de ser lembrado como “Estado dos marajás”, Alagoas marca presença no país em outros campos além da política. Seja na música ou literatura, nossa cultura encanta a todos. Entre os grandes expoentes estão Djavan e Graciliano Ramos, sem esquecer é claro da maravilhosa literatura de cordel;

O povo alagoano! Apesar de precisar despertar de uma “apatia política” o povo de Alagoas tem muito potencial. Entre suas melhores características estão a generosidade e a criatividade, elementos essenciais para superar as dificuldades que a vida impõe;

O Sertão! Um dos mais belos ecossistemas do mundo, o sertão oferece belas paisagens em todas as épocas do ano. Cores e perfumes diversos se dividem entre o inverno e o verão, mostrando que a vida prevalece mesmo no mais extremo dos climas;

Santana do Ipanema! Uma lista das sete maravilhas criada por mim não poderia deixar de incluir minha querida cidade. Lugar onde nasci e cresci, a cidade oferece ao visitante o caloroso abraço do seu povo e a maravilhosa comida típica. Encravada no Sertão das Alagoas, as belas paisagens santanenses oferecem trilhas e vistas incríveis do topo de suas serras.

E assim, com as sete maravilhas de Alagoas ditadas, encerro esse post!

Quem não nos conhece, não sabe o que está perdendo...

Abração!

-- Thiago Amorim

quarta-feira, 20 de julho de 2011

O Farol de Alexandria

No mundo antigo a construção de “torres de alerta” para navios era muito comum de forma a garantir uma navegação segura. O Farol de Alexandria não foi, portanto, a primeira torre a ser construída com essa finalidade. Suas dimensões, entretanto, eram tão impressionantes que sua localização, a Ilha de Faros, na entrada do porto de Alexandria, passou a designar esse tipo de construção a partir de então.

A geografia do Egito, particularmente da cidade de Alexandria, não possibilitava a construção de uma estrutura em um lugar alto, de onde pudesse ser avistada à longa distância, e assim guiar os navios em seu pedregoso e perigoso porto. A solução, então, foi a edificação de um enorme e esguio edifício de calcário e granito. Fontes antigas citam que sua altura alcançava impressionantes 135 metros.

Mas a questão geográfica não foi por si só o motivo de construção da tão gigantesca torre de pedra. Ptolomeu queria impressionar os visitantes e os locais, exaltando seu poder e glória. Incrivelmente, em anos posteriores, viajantes que descreveram o lugar não avistaram o nome do governante, e sim do arquiteto que o desenvolveu. Ainda segundo essas fontes, Sóstrates de Cnida, o arquiteto, utilizou de um artifício para que isso acontecesse. O nome de Ptolomeu realmente havia sido colocado no edifício quando construído, mas em uma grossa camada de cal que com o tempo foi dissolvida e revelou o nome do arquiteto.

O farol começou a ser construído por volta de 297 a.C. e durou cerca de quinze anos para ser concluído. As fontes antigas descrevem-no como uma estrutura em três níveis, cada uma em uma forma geométrica diferente (quadrangular, octogonal e cilíndrica), coroada por uma estátua de Zeus. Um magnífico sistema de espelhos permitia que sua luz fosse vista numa distância de até cinquenta quilômetros, e para manter as chamas acesas uma enorme rampa em espiral levava óleo combustível no lombo de mulas até o topo do edifício.

O farol passou centenas de anos guiando os navios e impressionando os visitantes. Diversos terremotos, entretanto, comprometeram sua estrutura e por volta do século XV, já em ruínas, foi transformado em uma fortaleza. Nos dias atuais o farol não mais existe, mas a fortaleza permanece como um dos monumentos mais visitados em Alexandria.

Para saber mais:

“Egito, um olhar amoroso” – Robert Solé

-- Thiago Amorim

terça-feira, 19 de julho de 2011

O Colosso de Rodes

A ilha de Rodes foi na Antiguidade um dos mais movimentados portos mercantes do mundo. A riqueza de sua população, e o seu ponto estratégico entre a Grécia, a Anatólia (atual Turquia) e o Oriente Próximo (Oriente Médio) a levaram a ser conquistada por Mausolo de Cária e posteriormente pelos Persas. Alexandre, O Grande, após subjugar o Império Persa, a incorporou ao seu próprio Império.

Após a morte do que talvez tenha sido o maior estrategista militar da história, o Império Macedônico ruiu e foi dividido entre os seus generais. A cidade e a ilha de Rodes ficaram então sob o comando de Ptolomeu junto ao Egito. Tudo ia bem até que os generais se desentenderam e começaram a se digladiar pela aquisição de províncias. Demétrio fez um rigoroso cerco a cidade de Rodes, mas foi derrotado e obrigado a retirar-se. Em comemoração a essa vitória, o povo organizou a construção do Colosso, uma enorme estátua do Deus do sol grego, Hélios.

A estátua, que durou doze anos para ser construída, tinha cerca de 30 metros de altura, e era completamente feita de cobre. Localizada junto ao porto da cidade (pesquisas recentes, porém controversas, dizem que ela se situava em terra firme, e não no porto), servia também como farol para os barcos e navios mercantes que ali apareciam.

Apesar do seu tamanho monumental e fama, a estátua durou poucos anos. Um gigantesco terremoto a pôs abaixo cerca de cinqüenta anos depois de construída. Os destroços permaneceram no local durante muito tempo, até que os Árabes conquistaram Rodes e os venderam como sucata.

-- Thiago Amorim

segunda-feira, 18 de julho de 2011

O Mausoléu de Halicarnasso

Halicarnasso foi, no mundo antigo, uma poderosa cidade do reino de Cária, cujo povo descendia dos antigos fenícios. Durante muitos anos os carianos dominaram boa parte da Anatólia e eram conhecidos como os senhores dos mares. Com o avançar dos séculos, entretanto, a região vivenciou diversas guerras de conquista, sendo por fim absorvida pelo Império Persa e transformado em Satrapia. 

E foi neste lugar próspero e cobiçado que após a morte do Sátrapa Mausolo, a construção de um enorme túmulo ficaria conhecida em todo o mundo.

O Mausoléu de Halicarnasso foi mandado erigir pela viúva e irmã do Sátrapa Mausolo, de forma a guardar seus restos mortais. Construído por arquitetos e escultores gregos, suas dimensões eram monumentais. Os registros antigos o calculam com uma altura de quarenta e cinco metros e adornado por dezenas de estátuas em cada uma das suas quatro alas laterais. A construção era completamente feita em mármore, e segundo a esposa de Mausolo, deveria permanecer para sempre como mostra da enorme riqueza que o sátrapa angariou durante seu governo. Devido ao luxo com que fora construído, os romanos passariam a chamar de “mausoléu” todos os túmulos que evidenciassem beleza e capricho.  

A beleza do lugar talvez tenha garantido sua permanência e evitado a destruição pelos povos que posteriormente conquistaram a Anatólia. Entretanto, as forças da natureza teriam papel crucial na destruição do lugar. Entre os séculos XIII e XV, terremotos o fizeram ruir completamente.

Nos dias de hoje, as ruínas do mausoléu encontram-se na cidade de Bodrum, na Turquia, mas pouco reconhecíveis, já que depois das cruzadas uma fortaleza foi construída sobre as suas fundações.

-- Thiago Amorim

domingo, 17 de julho de 2011

A Estátua de Zeus em Olímpia

Construída em Olímpia, uma das mais belas cidades gregas, a estátua de Zeus entrou para a história como uma das sete maravilhas do mundo antigo.

Consistia na imagem do Deus sentado em seu trono celestial. Em uma das mãos segurava a estátua de Nike, deusa da vitória, e na outra um globo com uma águia debruçada. Foi completamente modelada em marfim, ébano e ouro. Suas dimensões eram modestas, se comparadas as das outras maravilhas que entraram para a lista, mas ainda assim chegava a altura de um prédio de 5 andares (entre 12 e 15 metros). A qualidade do trabalho aliada a perícia do seu escultor Fídias, transformou-a numa das mais belas estátuas já feitas representando Zeus no mundo.

Com o passar dos anos, e a conquista da Grécia pelos romanos, a estátua despertou o interesse do Imperador Calígula, que exigiu que a mesma fosse carregada até a Capital Imperial. Ela foi transladada à Roma, mas posteriormente levada até Constantinopla e assentada no palácio de Lausus, local este que guardava inúmeras relíquias da antiguidade. Infelizmente, o local não era seguro o suficiente e um incêndio por volta do século V a destruiu completamente.

Arqueólogos nos tempos modernos encontraram vestígios do estúdio de Fídias nas ruínas de Olímpia. Quanto aos restos da estátua, em Constantinopla, jamais foram encontrados.

-- Thiago Amorim

sábado, 16 de julho de 2011

O templo de Ártemis em Éfeso



Éfeso foi durante muitos séculos uma das mais importantes cidades do mundo. A região foi colonizada pelos gregos e posteriormente dominada pelos romanos, tornando-se a segunda maior cidade do império, com uma população de aproximadamente 250.000 pessoas. Apesar de sua influência como cidade e importante porto comercial da Ásia, foi o Templo de Ártemis, considerado a maior das maravilhas do mundo antigo por Antíoco de Sídon, que alçou sua fama até os dias atuais.

O famoso templo na verdade foi construído e reconstruído diversas vezes. O primeiro foi demolido por uma grande enchente por volta do século VII antes de Cristo. O rei Croesus mandou que fosse reconstruído com grande requinte por volta do século VI a.C, de forma que ele talvez tenha sido o primeiro templo grego feito inteiramente em mármore. Os trabalhos prosseguiram por vários anos e só no século VI a.C. foi completado. Infortunadamente, pouco tempo após as finalizações do trabalho, foi incendiado e completamente destruído.

Após essa segunda destruição, o templo de Ártemis foi reconstruído com ainda mais esplendor. O novo prédio tinha cerca de 130 colunas e várias estátuas de mármore. Foi essa nova versão do templo que ficou registrada como a maior maravilha do mundo por Antíoco de Sídon. Pessoas de todos os lugares se dirigiam ao templo para louvar a Deusa Ártemis e trazer-lhe recompensas.

O novo templo perdurou por cerca de 600 anos até ser destruído pelos Godos. Ele foi reconstruído, embora com menos esplendor, mas novamente incendiado e desmantelado, dessa vez por mãos cristãs no século V.

Curiosidades:

- Heróstrato causou o primeiro incêndio do templo com o objetivo de ser lembrado para sempre. Ele foi executado pelo crime e teve seu nome apagado dos registros históricos. Um historiador da época, entretanto, escreveu sobre o acontecimento e o bandido conseguiu seu intento;

- O incêndio do templo coincidiu com o nascimento de Alexandre, O Grande, motivo pelo qual ele era aclamado como Deus, ou de natureza divina;

- Como Ártemis(Diana) era uma Deusa muito popular entre os romanos, a Igreja Católica a “transformou” em Maria, mãe de Jesus, de forma a facilitar a assimilação do novo culto pelo povo de Roma;

- Diversas partes do templo foram levadas para Constantinopla e usadas em construções daquela cidade. A milenar Basílica de Santa Sofia contém na origem de algumas das suas colunas, partes do famoso templo.

-- Thiago Amorim

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Os Jardins Suspensos da Babilônia



Reza a lenda que Nabucodonosor, o supremo senhor da Babilônia, amava muito uma de suas esposas, Amitis. Infelizmente, a bela princesa muito se incomodava por viver longe de sua terra e seu povo, das frondosas florestas que por lá existiam. Comovido pela melancolia que tomava sua amada, o rei ordenou que seus melhores engenheiros e arquitetos buscassem uma solução que devolvesse a felicidade à sua companheira.

O resultado foi um grande feito da engenharia, que deslumbrou seus contemporâneos e ficou lembrado para sempre como uma das sete maravilhas do mundo antigo. Suas dimensões eram impressionantes, com vários níveis superpostos e colunas que variavam entre 25 e 100 metros de altura. Palmeiras, plantas e flores faziam parte da “floresta artificial”, e encantava os viajantes.

Apesar de ser tão famoso, o relato da sua existência não garante que a obra tenha sido erguida pelo rei. Sabe-se que a Babilônia alcançou o esplendor artístico, econômico e cultural sob o reinado de Nabucodonosor, mas não há registros arqueológicos que comprovem a construção dos jardins. Estudiosos se digladiam diante das possibilidades sugeridas a respeito de como a irrigação do complexo poderia ser feita, mas nunca se chegou a uma conclusão.

Durante escavações, naquela que teria sido a capital dos babilônicos, apenas um poço de características singulares foi encontrado, o que o torna apenas mais um enigma dessa lendária história que sobreviveu aos tempos.

-- Thiago Amorim

quinta-feira, 14 de julho de 2011

A Pirâmide de Quéops no Egito

As pirâmides do Egito
A de Miquerinos em primeiro plano, a de Quéfren ao meio
 e a grande pirâmide de Quéops ao fundo
Construída há quase cinco mil anos, a grande pirâmide de Quéops no Egito é hoje a única das sete maravilhas da Antiguidade a permanecer sobre a face da Terra. Suas dimensões (146 metros de altura e 53.000 metros quadrados de superfície) a tornaram a maior e mais alta estrutura feita pela mão do homem no mundo até a Baixa Idade Média, quando as catedrais góticas surgiram na Europa.
           
Apesar de ser a mais famosa das pirâmides, ela não é a primeira do tipo, e segue a tradição egípcia de embalsamamento e preservação dos faraós junto a seus tesouros e escravos para a eternidade. A construção não foi fácil e levou dezenas de anos até ser concluída. Trabalhadores braçais ficavam envolvidos no projeto durante diversos meses do ano e recebiam apenas alimentação e cerveja como soldo. Historiadores descobriram recentemente que esse trabalho era voluntário, como forma de prestar serviço ao Deus governante, o Faraó.


Apesar da gigantesca estrutura, havia a possibilidade de que os tesouros ali guardados fossem roubados, e poderosos mecanismos de defesa foram desenvolvidos como prevenção. Astutos ladrões de tumbas, entretanto, a saquearam e a despojaram de suas preciosidades em séculos posteriores à construção. Apenas o sarcófago do faraó foi encontrado por arqueólogos nos tempos modernos.


Diversas são as teorias sobre a construção da pirâmide, entre as quais até a presença de seres extraterrestres. Concepções mais realistas imaginam o carregamento das pedras através de enormes rampas, ou a “produção” das pedras, com uma espécie de “concreto antigo”, feita com calcário, areia e água e moldadas em formas de madeira no próprio local.


Apesar de ser considerada “eterna”, a pirâmide sofreu ações de vândalos durante toda a história. A sua cobertura de pedra polida, por exemplo, foi completamente retirada para a reconstrução da cidade do Cairo, e nos dias atuais a estrutura sofre com a poluição atmosférica e o excesso de visitantes ao local, que inevitavelmente trazem problemas para a sua conservação.


Para saber mais:


“Egito, um olhar amoroso” – Robert Solé


-- Thiago Amorim

As Sete Maravilhas do Mundo Antigo

Na Antiguidade o poeta e escritor Antípatro de Sídon criou uma lista para mostrar as mais belas obras já feitas pela mão do homem em todo o mundo. Entre os locais e estruturas escolhidas estavam templos, estátuas e prédios, que seriam lembrados para sempre como as sete maravilhas do mundo antigo.

A pirâmide de Quéops no Egito, os jardins suspensos da Babilônia, o templo de Ártemis em Éfeso, a estátua de Zeus em Olímpia , O mausoléu de Halicarnasso, O colosso de Rodes e o farol de Alexandria são as lendárias construções, das quais apenas a pirâmide sobreviveu aos nossos tempos.

Assim, nos próximos dias irei publicar postagens relacionadas a cada uma delas, mostrando porque essas obras foram consideradas tão imponentes a ponto de ser registradas para sempre na história.

Curiosidades:

- A ideia de criar uma lista ressurgiu nos últimos anos e um concurso mundial foi aberto;

- Os vencedores das novas Sete Maravilhas do Mundo envolvem construções diversas, como a cidade de Petra na Jordânia, as Muralhas da China, o Cristo Redentor no Brasil, o Taj Mahal na Índia, Machu Picchu no Peru, Chichén Itzá no México e o Coliseu de Roma;

- A pirâmide de Quéops continua na lista como uma “oitava maravilha honorária”.

-- Thiago Amorim

sábado, 21 de maio de 2011

Istambul

Estreito de Bósforo - pôr do sol

Assentada no lado europeu da Turquia nos dias atuais, a cidade de Istambul foi durante muitos séculos a mais importante do mundo. Transformada em capital da Roma Imperial sob o reinado de Constantino, o Grande, a cidade fez fama em diversas partes do globo e sem dúvida foi a mais cosmopolita e interessante à sua época. Seus mercados eram disputados por povos diversos, entre os quais genoveses e venezianos; as inúmeras guerras para conquistá-la dariam belos filmes hollywoodianos (não compreendo porque a indústria do cinema não atentou para isso ainda).

Os tempos de glória nos Impérios Romano, Bizantino e Otomano ficaram para trás, mas Istambul ainda guarda o charme das mesquitas e das basílicas, além da convivência entre diferentes povos e a beleza da arquitetura oriental. Entretanto, a “troca de mãos” entre gregos, romanos e turcos, deixaram suas marcas. Peças artísticas e tesouros inestimáveis, como a estátua de Justiniano com a maçã em suas mãos, ou a Igreja dos Santos Apóstolos, onde os Imperadores bizantinos eram enterrados, há muito desapareceram.

O hipódromo construído por Constantino, por exemplo, trazia em seu arco triunfal a escultura em bronze de quatro cavalos. Roubados pelos cruzados em 1204, após o saque da cidade, eles hoje estão em Veneza, sobre o pórtico da Basílica de São Marcos.
Mesquita Azul - Istambul
Apesar dessas perdas ao longo dos séculos, Istambul ainda guarda relíquias de outrora. Entre suas principais atrações estão a Basílica Hagia Sophia, construída pelo Imperador Justiniano no século VI D.C., e transformada em mesquita pelos turcos após a queda de Constantinopla em 1453. Mesmo que quinze séculos tenham se passado desde a sua construção, a basílica (hoje um museu) mantém-se firme como elemento vivo do passado majestoso da cidade.

Ainda que se entenda a mágoa européia pela perda da cidade, a conquista turco-otomana acabou por dar-lhe novo fôlego. Na verdade, eles a salvaram da desgraça quando a conquistaram. Sob o Imperador Constantino XI, Constantinopla nada mais era que um punhado de vilas cercadas por muros. A população havia escasseado e a miséria estava presente em toda parte. Bizâncio, como resquícios de Roma não mais existia, e havia se tornado apenas um estado vassalo do Império Otomano.

Cisterna da Basílica
Assim, quando Mehmet II (um líder renascentista e modernista), adentrou as muralhas e transformou a cidade em sua capital, tratou de repará-la e devolver-lhe a glória. Inúmeras obras públicas foram construídas e muitas outras reparadas. Aquedutos foram consertados, templos e muros reconstruídos e palácios erguidos. Constantinopla se tornara, novamente, uma das cidades mais incríveis do mundo.

Entretanto, o Império, como todos os outros antes dele, chegaria ao fim.  Quase quinhentos anos depois da conquista, a cidade teria seu nome modificado, perderia o status de capital e se tornaria apenas um posto avançado dos turcos na Europa. Sua localização, contudo, a torna uma das mais importantes do mundo, já que o estreito de Bósforo é um elemento importante para a geopolítica e economia mundiais.

-- Thiago Amorim

Curiosidades:

* Istambul é a antiga Constantinopla. Seu nome permaneceu após a conquista turca e apenas no século XX foi modificado;

* Apesar de se destacar como um dos mais famosos templos da cidade, a Hagia Sophia não é o maior. A mesquita azul, construída por Ahmed I, tem esse título desde o século XVII;

* A Basílica dos Santos apóstolos, edifício que inspirou a construção de São Marcos em Veneza, deu lugar a mesquita Fatih em anos posteriores à conquista da cidade;

* O Hipódromo foi destruído, mas hoje em dia há uma praça na cidade, no local onde o mesmo se erguia que mantém o traçado da sua construção;

* O mercado de Istambul é ainda hoje um dos mais diversificados do mundo e atrai visitantes de todas as partes do planeta;

* A cisterna da basílica, construída por Justiniano no século VI, é umas das atrações mais visitadas.

* Estuda-se a possibilidade de devolução da Basílica Hagia Sophia à Igreja Ortodoxa;

Para saber mais:

O Império Otomano – Donald Quataert;

História das cruzadas, vol. I, II e III – Steven Runciman;

1453, a queda de Constantinopla- Steven Runciman;

1453: A Guerra Santa por Constantinopla e o confronto entre o Islã e o Ocidente – Roger Crowley

segunda-feira, 9 de maio de 2011

O preconceito que vem de berço

Recentemente tive o desprazer de observar uma cena terrível, daquelas que volta e meia aparecem e não são percebidas ou levadas a sério, mas que deviam ter sim nossa atenção por evidenciar de onde surgem a violência e o preconceito.

Dois garotos caminhavam pela rua. Era um lugar movimentado, de tráfego intenso e muito perigoso. Os menininhos deviam ter cinco ou seis anos cada, e provavelmente eram irmãos. Por medo do trânsito, e evidentemente por companheirismo, estavam de mãos dadas. Uma cena simples, sem conotação de qualquer tipo que fosse.

Mais adiante na rua, infelizmente, estavam uma mãe e seus três filhos, reunidos com alguns vizinhos. Os dois passaram por ali sem imaginar o que viria a seguir.

“Viados, bichas!” Proferiu a péssima senhora e seus amigos. Os meninos olharam para trás assustados e soltaram as mãos imediatamente. “Podem andar agarrados assim não! Isso é coisa de viado.” Falou novamente uma daquelas pessoas. As crianças que estavam junto a elas imediatamente começaram a gritar coisas parecidas, como se hostilizar o outro fosse normal ou correto.

Uma semente havia sido plantada!

Uma semente maligna que traz apenas maldade e sofrimento. Os parentes mais próximos daquelas crianças, que lhes deviam ensinar o que é bom, justo e humano, lhes haviam dado um péssimo exemplo. O preconceito, que jamais nasce com cada um de nós, fora colocado entre eles. Algo que provavelmente os acompanhariam pelo resto da vida. A violência, que geralmente vem nesse “pacote”, a partir de agora seria permitida.

No futuro, mães e pais dirão que nunca ensinaram nada de errado a seus filhos, que não desejavam que fossem cruéis com seus amigos ou “inimigos”.

O lado bom disso tudo é que nem sempre a semente vinga. Ao dobrarem a esquina, os dois irmãozinhos imediatamente seguraram as mãos um do outro novamente. Não foram contaminados pelos adultos que lhes atormentaram. O mal ao menos entre eles não venceu dessa vez!

-- Thiago Amorim

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Empire State Building

Construído em meio à grande depressão dos anos 1930, o Empire State Building manteve o recorde de edifício mais alto do mundo por quarenta e um anos. É  considerado por muitos como um dos mais belos edifícios em estilo Art Déco do mundo e  sua emblemática imagem tornou-o parte importante da paisagem de New York. A história da sua construção revela o que grandes fortunas e busca por lucros podem trazer.

No início do século XX, nos EUA, mais precisamente em New York, uma acirrada disputa buscava estabelecer o recorde de edifício mais alto do mundo. Na corrida que se seguiu, imensos e belos prédios foram construídos imortalizando-se na Skyline de Manhattan. O Empire State foi o vencedor e tirou o título ganho pelo Chrysler apenas poucos meses antes.

Suas dimensões impressionaram a todos. Com 381 metros de altura no piso mais alto e 443 no topo da antena, o Empire State possui 86 andares ocupáveis, e mais 16 no pináculo. Em sua construção foram usados 10 milhões de tijolos, 113 quilômetros de canos, 760 quilômetros de cabos elétricos e nada menos que 1.886 quilômetros de cabos de elevadores. Ele ainda possui 6.514 janelas, 73 elevadores, 250.000 metros quadrados de espaço aproveitável e pesa 365.000 toneladas.


Empire State Building em construção - 1931
No 102º andar, esperava-se que fosse possível receber dirigíveis, e uma plataforma foi construída para isso. Infelizmente com a construção concluída observou-se que a enorme velocidade do vento no local impossibilitaria a operação. No fim das contas isso não representou grande prejuízo, já que a era dos dirigíveis acabaria apenas alguns anos depois com o acidente do Hindenburg.

Com oitenta anos recém adquiridos (foi inaugurado em 1º de maio de 1931), o Empire State Building ainda mantém a majestade. Voltou a ser o mais alto edifício de Manhattan após a destruição do World Trade Center em 2001 e tem um excelente público, tanto em visitações como em locatários. Uma viagem a New York, sem uma visita ao Empire State Building é como ir ao Rio e não ver o Cristo Redentor.

Curiosidades:

*O edifício foi construído em apenas um ano e quarenta e cinco dias;

*Seu nome deriva do apelido do estado de Nova York “Empire State”;

*A crise da época em que o edifício foi construído fez com que poucos espaços de escritório fossem alugados, o que lhe rendeu o apelido de “Empty State Building”;

*Apenas cinco trabalhadores morreram durante a construção. Número bastante aceitável para a época;

*Desde 1931 cerca de trinta pessoas já se suicidaram jogando-se do edifício.

*Anualmente há uma corrida rumo ao topo, onde os concorrentes são desafiados a encarar os 1.575 degraus de suas escadarias;


* Em 1945 o Empire State foi atingido por um avião. Felizmente o acidente não comprometeu sua estrutura e o prédio foi reaberto poucos dias depois;

*O edifício tem seu próprio código postal.

-- Thiago Amorim

domingo, 10 de abril de 2011

Simone

Um diretor com talento incrível, mas incompreendido pela indústria do cinema; uma atriz com excesso de “estrelismo”; um cientista da computação louco e à beira da morte. Três histórias que se fundem em apenas uma. Essa é a jogada inicial do filme “Simone”, uma obra prima do cinema (pelo menos sob meu ponto de vista).

Quando a atriz principal do seu filme desiste das gravações, Viktor Taransky (Al Pacino) perde a credibilidade, o financiamento e o emprego. Desesperado e sem saber o que fazer, imagina estar arruinado, até que um desconhecido admirador do seu trabalho aparece com uma solução inusitada: a possibilidade de criar uma Diva totalmente computadorizada com o que há de melhor na indústria do cinema.

O resultado é um sucesso estrondoso, mas também uma série de confusões. Simone se torna um ícone, com milhões de fãs em todo o mundo, e uma espécie de personalidade dentro do “Eu Taransky”.  Para provar a existência da diva virtual, o diretor cria loucas situações de forma a satisfazer as cada vez maiores exigências do público.

A mentira ajuda Taransky e ele recupera a dignidade. Aos poucos, contudo, é esquecido pelo público e até por si mesmo. O choque de interesses, e o cada vez maior conflito interior fazem com que Viktor tome medidas extremas para solucionar o enorme problema que criou. Não imaginava ele que Simone tornara-se tão real que para o público, e até para si mesmo, ele quem passara a ser inexistente.

O filme peca em apenas um ponto. O de ser tão curto! Com uma história tão legal, Simone poderia avançar e ousar mais, talvez aprofundando o conflito interior de Taransky.

Assim encerro mais uma dica de filme, daqueles para ver e rever.

Grande abraço!

-- Thiago Amorim

quarta-feira, 6 de abril de 2011

A cidade no mar

Outro dia estávamos na faculdade e surgiu durante a conversa entre amigos a ideia de se fazer cidades sobre o mar... Lembrei na ocasião que já havia visto algo parecido, inclusive sendo um projeto antigo. Resolvi então pesquisar novamente o assunto e depois de encontrá-lo decidi postar aqui.

A cidade a qual me referia surgiu na antiga União Soviética, no que seria o atual país do Azerbaijão. Trata-se de “Neft Daşları”, ou em inglês “Oil Stones” (Pedras de petróleo). Como o próprio nome sugere, a cidade surgiu aliada a produção de petróleo.

Com grande sede por recursos energéticos após o fim da Segunda Guerra Mundial, e, até então, poucas reservas para expandir a produção de petróleo em terra, os líderes soviéticos abraçaram a ideia de buscá-lo no mar. Como solução para garantir a mão-de-obra necessária para a realização dessa empreitada, decidiu-se pela construção de uma grande cidade junto às plataformas petrolíferas.

Situada há mais de 40 km da costa, em meio ao Mar Cáspio, sobre gigantescos blocos de aço, surgiria uma enorme cidade que teria escolas, bibliotecas, indústrias e parques públicos, de forma a garantir que milhares de pessoas dividiriam esse espaço com conforto e comodidade.

Apesar dos problemas logísticos envolvidos, a construção terminou em meses. Um grande feito da engenharia que surpreendeu o mundo.

O sonho, entretanto, não foi tão promissor. Alguns anos após o término, à medida que suas reservas petrolíferas esgotavam e novos campos de extração surgiam no extremo norte russo, a cidade foi sendo abandonada. Dependente economicamente do negócio do petróleo, Neft Daşları” foi desativada quando essa indústria dali se retirou. O que talvez tenha sido um dos mais ambiciosos projetos da história simplesmente deixou de ter importância e foi esquecido*.


A história de “Neft Daşları” mostra que apesar dos projetos propostos para a construção de cidades no mar existentes hoje em dia, deve-se creditar aos comunistas soviéticos a ousadia e o pioneirismo de levar o homem e sua mais característica invenção, a própria cidade, ao mar.

Curiosidades:

* A cidade perdeu a produção de petróleo, mas não foi completamente abandonada. Estima-se que duas mil pessoas ainda vivam lá atualmente.


-- Thiago Amorim