![]() |
De repente, em Santana do Ipanema, problemas inimagináveis surgiram para a cidade. Durante uma festa clandestina no campo de aviação do município, um rapaz morreu num acidente automobilístico enquanto dava “cavalos-de-pau” com uma Hilux roubada. A história passaria despercebida, ou teria pouca repercussão, não fosse a ligação que imediatamente foi feita entre este fato e um evento extremamente importante para a economia da cidade, a Festa da Juventude.
Conhecida no estado inteiro, e arriscaria dizer que em todo o Nordeste, a festa atrai milhares de pessoas dos mais diversos lugares do país, fazendo a economia girar e trazendo renda para as famílias santanenses. Grande parte dos comerciantes vê nesse evento a maneira de “sair do vermelho” e dos prejuízos dos meses iniciais do ano. Assim, enormes investimentos haviam sido feitos nos últimos dias, na esperança de que o evento seria realizado como sempre e traria grande retorno financeiro.
Mas eis que o acidente aconteceu, e imediatamente através das redes sociais e o twitter ganhou repercussão nacional. Diversos jornais divulgaram as imagens (terríveis, inclusive) do acidente e os críticos surgiram. Acusações foram feitas, mentiras contadas, e a irresponsabilidade de dois ou três forasteiros recaiu sobre os cidadãos santanenses.
Para as pessoas que conhecem a festa, sabe-se que há muitos anos para participar do “torneio de cavalos-de-pau” é necessário se inscrever junto à coordenação do evento, evitar o consumo de bebidas alcoólicas e utilizar o cinto de segurança. Os espectadores são mantidos à salvo, em arquibancadas com barreiras de proteção. Os bombeiros e a polícia também estão presentes, o que inibe certas atitudes irresponsáveis, ou garante pronto atendimento caso aconteça algum problema.
Mas assim que as imagens veiculadas sobre o acidente caíram na rede, toda essa estrutura foi esquecida. Da noite para o dia o evento foi transformado em uma “máquina de matar” e repudiado por pessoas que nunca tiveram a oportunidade de presenciar os dias festivos e a movimentação na cidade. Reuniões foram agendadas, pessoas falaram e não foram ouvidas. A arbitrariedade imperou e o torneio, o grande trunfo da festa da juventude, foi deixado de lado.
Alguns dirão que a festa não vai acabar, que a “alma” do evento permanece. Mas nós que aqui moramos e participamos todos os anos, sabemos que não é bem assim. Os eventos no campo de aviação são a “cereja do bolo”, o diferencial para atrair visitantes. Sem eles a festa fica pobre, deixa de interessar a grande maioria.
O título desse post é uma provocação. Não quero dizer que a festa morreu, ou que sou contra a renovação do evento. Pelo contrário, sou favorável à diversificação, à melhoria e evolução da festa. Mas sou realista para afirmar que, ao menos esse ano, todos ficarão no prejuízo...
-- Thiago Amorim














