terça-feira, 28 de junho de 2011

Diversidade


Tudo começa com uma pequena mudança de atitude. De repente, alguém se sente incomodado e obriga que os outros pensem da mesma forma. Assim foi nos anos 1930. Depois de séculos perseguidos, os judeus finalmente eram aceitos com relativo conforto, até que as ideias nazistas os baniram e os exterminaram da sociedade alemã.

A forma como tudo aconteceu lembra em parte o que vem surgindo nas últimas décadas no nosso país. Após anos e anos de perseguição, a homossexualidade é finalmente “aceita” e vista com normalidade por grande parcela da população. A recente validação de direitos, através da possibilidade de se viver em união estável, é garantia disso.

Entretanto, ao mesmo tempo em que o avanço acontece, o perigo também aparece. Enquanto alguns aceitam, outros se tornam extremistas, intolerantes. Religiosos em diversas partes do país utilizam ideias medievais para justificar a perseguição; políticos aproveitam-se dessa pseudo-moralidade e defendem o fim dos direitos adquiridos a tanto custo, em benefício eleitoral próprio.

Apesar das pessoas não perceberem, o que esses grupos defendem é o abandono, a injustiça e a violência. Assim, o que se percebe hoje no Brasil é a possibilidade do surgimento de uma segunda “noite dos cristais”. Dessa vez, as vítimas seriam criaturas indefesas, assim como as da primeira noite, e também inocentes das acusações que lhes são dirigidas. Essa afirmação pode parecer exagero, mas não é! A linha que separa a violência verbal da física é tênue. Uma palavra e tudo pode vir à tona.

Império gay, diriam alguns; destruição da família, diriam outros.

Oras! Como tais absurdos podem ser ditos e defendidos, se o que o movimento LGBT prega é a tolerância à diversidade? Como a busca pelo direito de ser feliz pode ser contra a família? Onde fica o “amai-vos uns aos outros”? Será que Deus deseja que a intolerância, a dor e o preconceito se propaguem?

É óbvio que não...

O direito de ser feliz é de todos, e a forma como se alcança a felicidade é uma particularidade inerente a cada um. Seja genética, seja o meio em que se vive, no fim das contas nada disso importa. Estamos apenas falando de seres humanos. E se tem uma coisa que existe na Humanidade é diversidade. Aceitar isso é o primeiro passo para um mundo melhor e livre da violência.

Grande abraço!

Thiago Amorim

domingo, 5 de junho de 2011

A morte da Festa da Juventude!



De repente, em Santana do Ipanema, problemas inimagináveis surgiram para a cidade. Durante uma festa clandestina no campo de aviação do município, um rapaz morreu num acidente automobilístico enquanto dava “cavalos-de-pau” com uma Hilux roubada. A história passaria despercebida, ou teria pouca repercussão, não fosse a ligação que imediatamente foi feita entre este fato e um evento extremamente importante para a economia da cidade, a Festa da Juventude.

Conhecida no estado inteiro, e arriscaria dizer que em todo o Nordeste, a festa atrai milhares de pessoas dos mais diversos lugares do país, fazendo a economia girar e trazendo renda para as famílias santanenses. Grande parte dos comerciantes vê nesse evento a maneira de “sair do vermelho” e dos prejuízos dos meses iniciais do ano. Assim, enormes investimentos haviam sido feitos nos últimos dias, na esperança de que o evento seria realizado como sempre e traria grande retorno financeiro.

Mas eis que o acidente aconteceu, e imediatamente através das redes sociais e o twitter ganhou repercussão nacional. Diversos jornais divulgaram as imagens (terríveis, inclusive) do acidente e os críticos surgiram. Acusações foram feitas, mentiras contadas, e a irresponsabilidade de dois ou três forasteiros recaiu sobre os cidadãos santanenses.

Para as pessoas que conhecem a festa, sabe-se que há muitos anos para participar do “torneio de cavalos-de-pau” é necessário se inscrever junto à coordenação do evento, evitar o consumo de bebidas alcoólicas e utilizar o cinto de segurança. Os espectadores são mantidos à salvo, em arquibancadas com barreiras de proteção. Os bombeiros e a polícia também estão presentes, o que inibe certas atitudes irresponsáveis, ou garante pronto atendimento caso aconteça algum problema.

Mas assim que as imagens veiculadas sobre o acidente caíram na rede, toda essa estrutura foi esquecida. Da noite para o dia o evento foi transformado em uma “máquina de matar” e repudiado por pessoas que nunca tiveram a oportunidade de presenciar os dias festivos e a movimentação na cidade. Reuniões foram agendadas, pessoas falaram e não foram ouvidas. A arbitrariedade imperou e o torneio, o grande trunfo da festa da juventude, foi deixado de lado.

Alguns dirão que a festa não vai acabar, que a “alma” do evento permanece. Mas nós que aqui moramos e participamos todos os anos, sabemos que não é bem assim. Os eventos no campo de aviação são a “cereja do bolo”, o diferencial para atrair visitantes. Sem eles a festa fica pobre, deixa de interessar a grande maioria.

O título desse post é uma provocação. Não quero dizer que a festa morreu, ou que sou contra a renovação do evento. Pelo contrário, sou favorável à diversificação, à melhoria e evolução da festa. Mas sou realista para afirmar que, ao menos esse ano, todos ficarão no prejuízo...

-- Thiago Amorim